O que é um Grêmio?


Um dos primeiros questionamentos de muitos estudantes é, afinal, o que é um Grêmio Estudantil? 

Na leitura da maioria dos estatutos o Grêmio é definido como uma “entidade máxima de representação dos estudantes”. Eu apenas definiria o Grêmio, em uma analogia, com um sindicato, donde os estudantes se organizam e acionam pautas do corpo discente da escola. Mas para além disso, um Grêmio não pode ser apenas uma ponte representativa, no sentido de levar pedidos e demandas para a equipe gestora da escola, o Grêmio também deve ser um órgão ativo dos estudantes, donde a ação é feita de maneira coletiva, donde os estudantes realizam atividades dentro de sua própria dinâmica e ordem. 

Definiremos aqui então o Grêmio como: o órgão estudantil público e democrático que visa organizar o movimento estudantil e o corpo discente dentro de uma escola, exercendo a democracia popular local e realizando atividades feitas pelos estudantes para estudantes. 

Um Grêmio é muito mais complexo do que aparenta ser e sua estrutura e ação deve ser pensando tendo isso em conta. Ao mesmo passo de dentre uma aldeia indígenas de 300 membros não é menos complexa e desenvolvida do que uma cidade de 1 milhão de habitantes, uma escola com 200, 300 até 1000 alunos não possui uma vida política simples, deve-se entender a verdadeira realidade dos Grêmios Estudantis e seu desenvolvimento na complexidade da estrutura social escolar.


A ESCOLA PÚBLICA

A Escola Pública é fundamentalmente uma instituição que deve ser pensada e estudada para a construção de um Grêmio saudável. Entender as pautas da educação, as dificuldades dos professores, as instituições governamentais, as políticas públicas e a legislação. 

Em primeiro lugar, a Escola Pública, com algumas exceções, tende a ser uma reprodução social direta, os costumes e fenômenos da sociedade são reproduzidos dentro da Escola Pública. Não sofre intensamente o efeito de “bolha” que acolhe as escolas particulares. Digo que as escolas particulares, por terem um perfil extremamente delimitado, acolhendo um extrato muito específico da sociedade tendem a terem uma realidade social desconexa do todo da sociedade. 

Em segundo lugar, temos o problema orçamentário, as próprias condições materiais precárias de muitas Escolas, é uma missão da comunidade de uma escola cuidar coletivamente da preservação e implementação do espaço escolar. 

Em terceiro lugar, temos a gestão democrática, os estudantes devem ser cientes de que sua participação dentro dos mecanismos deliberativos da Escola é algo indispensável, os estudantes devem SEMPRE manter um diálogo constante com o corpo docente, uma Escola deve ser construída por professores e estudantes em conjunto. 

Em quarto lugar, a Escola Pública deve ser aberta, referencial, um ponto de encontro da comunidade externa. Apenas abrindo a Escola para a população podemos garantir uma segurança institucional e o desenvolvimento do trabalho coletivo e popular, na criação de uma Escola equipada e democrática.


O GRÊMIO POLÍTICO 

O Grêmio deverá vestir a realidade política, trabalhar em favor da política estudantil, que deve ter uma pauta definida, tornar o fim do Grêmio como algo recreativo é um crime social. O objetivo do Grêmio deve ser sempre político, não no sentido comum, de que sempre se faça debates, palestras e se envolva os movimentos partidários, mas no sentido que o Grêmio tem uma composição política única, deve realizar o trabalho político de organizar, dirigir e administrar os problemas estudantis. Desenvolver um processo deliberativo e uma prática coletiva construindo uma maneira de democracia popular local. 

A Escola como um todo deve ser trabalhada, não digo que os Grêmio não possam ter atividades recreativas, na realização de festas e campeonatos esportivos – a área limitada de ação da maioria dos Grêmios – mas o Grêmio deve passar por processos políticos para chegar na própria organização dessas atividades, a visão política do Grêmio deve estar sempre viva, entender onde há política nos estudantes, o que os movimentos internos do corpo estudantil manifestam ideologicamente, entender os riscos e benefícios de discursos e atividades presentes. 

O Grêmio é forte quando os estudantes são conscientes e participantes, o sistema de um Grêmio tem que ser formulado no sentido de que a maioria possível dos estudantes participem do processo deliberativo, a estrutura do Grêmio deve ser conhecida, seu funcionamento, suas missões e projetos, assim quando isso o for, o Grêmio se fortalecerá, a consciência dos estudantes sobre a Escola Pública, o Movimento Estudantil e o próprio Grêmio é o único jeito de criar um Grêmio forte. 

Retomando o pressuposto de que a complexidade política dentro de uma escola e de um Grêmio é tão grande como em qualquer outra instituição, o Grêmio deve ser um campo prático das Ciências Humanas - a Ciência Sociais, Geografia, Economia, História, Filosofia, Artes e afins – aplicar os conceitos, teorias, experiências, modelos e estudos na realidade, na práxis, é a melhor formação que um estudante pode ter, saber ter tanto Teoria quanto Prática é essencial, mas nunca, jamais, dever-se-á priorizar um sobre outro, há de ter uma relação dialética entre os dois, num processo de aprendizado, estudo, tentativa e erro. Que se estude a teoria, se transforme em prática, se avalie e faça a autocrítica da Prática para que assim se crie novas teorias. 

Um Grêmio tem de realizar com seriedade seus trabalhos; tem de realizar e criar registros históricos e burocráticos sobre todos procedimentos e ações, garantindo assim um legado para o movimento estudantil futuro.

Escrito por André Molinari
janeiro de 2019

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