A Produção Científica da Esquerda



Começo esse texto sem medo de ser criticado ou chamado de "revisionista" - aliás, aí está um termo da esquerda que tem que deixar de ser usado alheia e arbitrariamente para criticar qualquer posicionamento dessoante dos "dogmas" apropriados.

Escrevo aqui sobre a necessidade fundamental, como já retratado no texto "Sobre o Marxismo-leninismo", da contextualização científica da esquerda com a realidade em que ela está inclusa.
Hoje não se faz incomum grupos de esquerda que possuem uma análise, visão, interpretação, método, estratégia e organização atrasada, um anacronismo político ensurdecedor fruto de uma 'cegueira' política.

Ora, estamos à beira da 4ª Revolução Industrial, que promete a redução quase total das forças operárias e camponesas, excluindo diversas profissões de todos setores da economia.
Estamos presenciando o desenvolvimento do pós-modernismo e de seu sistema econômico, o neoliberalismo, e mesmo assim a esquerda se prende à métodos e análises antigas de forma dogmática.

A esquerda não se atualizou às novas tecnologias e realidades, principalmente a tecnologia de comunicação e a realidade econômica dos meios de produção e o seu desenvolvimento qualitativo.

Presa num romantismo dogmático, a esquerda hoje não consegue se adaptar, se moldar, mudar. Estagnada no século passado, não consegue desenvolver estratégias contemporâneas e decretou a morte do pensamento científico da teoria revolucionária e análise da esquerda sobre a realidade.


Pois até mesmo Marx, provavelmente, estaria indignado ao ver que suas falas sobre a mutabilidade do mundo e sua natureza dialética foi substituída por concepções e metodologias estáticas.
Por que a esquerda está tão fragmentada hoje? Porque a sua briga em falhar no reconhecimento do revisionismo burguês - que é uma missão fundamental, não descordo - começou a utilizar do bordão para taxar de revisionista, uns aos outros, criando quase um macartismo dentro da própria esquerda.

Se mantendo atrasada, desorganizada perante à realidade, incapaz de criar e desenvolver novas estratégias e conceitos, a esquerda contemporânea engatinha perdida por um túnel escuro. 

Se faz necessário e urgente um trabalho científico na esquerda, que retome as premissas filosóficas e da metodologia científica, que seja capaz de analisar e assumir o que faz conjunto a nossa realidade e o que deve ser tido como referência de um passado histórico.

Não podemos nos deixar enganar, enquanto brincamos de sectarismo e de dogmatismo político, a burguesia marcha sobre os pobres e esgota cada recurso do planeta.

Analisar, questionar, evidenciar, negar, aprimorar. A esquerda tem que estar aberta à renovação, aberta à crítica.

Não necessariamente digo que temos que taxar erros nos autores do século passado, mas sim entender que a realidade deles não nos diz, num sentido prático, um manual estrito dos caminhos à serem seguidos.

Deixo marcado, com mais plena certeza, que a queda da esquerda não virá das mãos da burguesia, mas sim da sua teimosia e rigidez, da sua arrogância e ingenuidade.

Temos de ser científicos, práticos, metódicos e abertos à mudança. Ora, não é a mudança um dos principais objetos de estudo da Ciências Humanas e do Marxismo-leninismo?


Escrito por André Molinari
fevereiro de 2019

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