Stálin, uma polêmica.
Bom, mas nosso assunto principal aqui é sobre o Iosif Vissarionovich
Dzhugashvili, o Stálin. Existe um esforço enorme em culpar e sujar o nome e obra desse
grande líder soviético, que é acusado de ser um tirano, genocida, contra-revolucionário,
anti-marxista e segue a lista de difamações infundadas, ou pior, fundadas nas palavras da
burguesia.
Muito se diz de que Stálin foi um homem que matou milhares, se não milhões, de
russos e ucranianos, por uma fome que envolveu Ucrânia e boa parte da União Soviética.
Essa falácia começa com o burguês William Hearst, que além de tudo era também um
simpatizante do nazismo e por claros interesses próprios, já que possuía o maior
monopólio de imprensa da época. Foi publicado no dia 18 de fevereiro de 1935, na
Chicago American, de que 6 milhões morrem de fome na URSS, com dados fornecidos
pela Gestapo, Hearst lança uma campanha de desmoralização e criminalização da URSS,
porém ocorre que a fome supostamente causada pela administração de má fé do Governo
Stálin (1924-1953) provinha de uma luta violenta entre os camponeses pobres e
miseráveis contra os “kulaks”, na batalha dos camponeses para criar os colcoses.
Seguindo isso, inevitavelmente, com não apenas a instabilidade no campo mas, os
tão famosos e praticados belos burgueses contra-revolucionários, muitos locautes
ocorreram e mercadorias foram escondidas e propositalmente estragadas, como o relato de
John Reed demonstra. Esse conflito teria envolvido, das mais diversas maneiras, cerca de
120 milhões de camponeses soviéticos, a instabilidade produtiva e luta pela terra e meios
de produção geraram, de fato, uma falta de alimentos, que por sua vez tornou a população
camponesa vulnerável à doenças e epidemias, onde vale lembrar que eram comuns à
época, com pouco avanço da medicina e dificuldades enormes, nenhum governo
conseguia controlar direito esses problemas de saúde, ora, vejamos o exemplo da gripe
espanhola. Nada desse caso pode ser atribuído à uma maldade soviética, tão pouco
stalinista.
Mesmo após o fim da Alemanha Nazista e a dissolução da Gestapo, que tão
inocentemente fornecia dados da mais ultra veracidade nazista, a CIA e o M-15 não
tardaram para assumir o timão dessa cruzada anticomunista, aliás, o espectro do
comunismo era o bicho-papão do mundo capitalista. Também acompanhadas da caça às
bruxas macarthista os milhões de famélicos da Ucrânia se tornavam cada vez mais vítimas
de um suposto “atentado humanitário” soviético.
Em 1953 se publicou nos EUA o livro “Os Atos Negros do Kremlin”, onde
refugiados ucranianos, em sua extrema maioria simpatizantes nazistas, tomaram asilo no
país, dando seus relatos de “sofrimento” – mentiras descaradas com motor à combustão
ideológica - e foram mascarados como “democratas”.
Outros livros do mesmo teor foram publicados, com as antigas fontes da Gestapo,
simpatizantes nazistas ou contrarrevolucionários, como o “A Vida Humana na Rússia”
(1984) ou o livro “A Colheita do Sofrimento” (1986), do já mencionado Robert Conquest,
que por mera casualidade era um ex-agente do M-15.
Todos dados fabricados eram escolhidos meticulosamente pela imprensa e academia burguesa para produzir e dar cor às mentiras montadas em artigos, reportagens e matérias de jornal. Jornalistas como Douglas Tottle desmascaram o uso de fotos antigas da Guerra Civil
Russa que foram colocadas como evidências da fome ucraniana. Tottle desmontou
cuidadosamente cada mentira produzida pela Hearst Corporation em seu livro “Fraude,
Fome e Fascismo – o Mito do Genocídio Ucraniano de Hitler à Harvard”, donde provém
relativa parte das informações dadas até então.
Outro jornalista, esse chamado de Louis Fisher, provou de que um correspondente
em Moscou enviou à imprensa de Hearst relatórios sobre o crescimento das safras e o
progresso alcançado pela Ucrânia, mesmo assim, de maneira conveniente, os relatórios
foram ignorados, hábito comum como veremos depois. O mesmo Fisher mostrou de que
o “Thomas Walker”, que escrevia para Hearst sobre a situação ucraniana, era na verdade
um homem de nome Robert Green, fugitivo da justiça norte-americana que quando foi preso novamente admitiu nunca ter estado na Ucrânia. Como vemos e poderíamos continuar, houve uma
campanha midiática para fazer-se acreditar de que Stálin teria orquestrado um genocídio
na Ucrânia através da fome, matando milhões, é impressionante que esses relatórios
fabricados, que foram desmascarados em 1987, ainda são utilizados como argumentação
séria.
Robert Conquest, que foi professor e escritor na Universidade de Stanford, teve
seu passado revelado em 1978, o “acadêmico” que escrevia regularmente para os maiores
jornais britânicos com mentiras e fabricações relativas à URSS e Stálin, na verdade era
um ex-agente do antigo “Escritório de Informações sobre Comunistas” ou, como veio a
ser conhecido depois, Departamento de Pesquisa e Informações do Serviço Secreto
Britânico, que tinha em suas pautas uma grande missão: combater a influência comunista
na Europa. Conquest teria ido além, não só escrevendo sobre a fome orquestrada na
Ucrânia como também sobre os milhões que morreram nos gulags e Julgamentos de
1936-38, recaindo a culpa sobre o governo Stálin.
As fontes favoritas de Conquest? Criminosos de guerra, membros de partidos da
extrema-direita e simpatizantes nazistas, como Mykola Lebed, que em 1942 teria sido
levado para os EUA, pela CIA, para produzir informações sobre a URSS. Conquest se
esforçou para dar dados e matérias fabricadas para a chamada “imprensa marrom”, onde
se tentava ao máximo conduzir a opinião pública para uma criminalização de Stálin e do
Comunismo.
Como não bastasse, ainda temos um dos mais influentes e canalha, o Alexander
Soljenítsin, autor russo que se tornou famoso em meio aos capitalistas e o mundo pelo
seu livro “The Gulag Archipelago”. O próprio teria passado - na minha opinião,
merecidamente – 8 anos em um gulag por conduzir atividade contra-revolucionária. O
mesmo afirmou que a luta contra a Alemanha Nazista poderia ter sido evitada na 2ª Guerra
se o governo stalinista tivesse chegado à um compromisso com o Terceiro Reich, disso
tirem suas próprias conclusões sobre a natureza da política desse russo que denunciou as
“atrocidades” da URSS. Também acusou o governo stalinista de ser pior de que o nazista
devido às mortes trazidas aos soviéticos nos combates da Grande Guerra Patriótica.
Tal como mostrado, Soljenítsin não se preocupava em disfarçar seu caráter
nazista, sendo assim foi condenado como traidor na União Soviética. Em 1962 começou
a publicar livros na URSS com a ajuda do – maldito seja – Nikita Kruchov, sua primeira
publicação: "Um Dia na Vida de Ivan Denisovitch". Livro esse que contava a história da
vida de um prisioneiro, Krushov fez uso dos escritos de Soljenítsin para lambuzar o
legado de Stálin com mais falácias e fabricações.
Em 1970, o simpatizante nazista, recebe o Prêmio Nobel de Literatura pelo “The Gulag Archipelago”. Assim suas obras ganham caráter internacional e começam a ser publicadas em grande escala nos países capitalistas. No seu livro alegava que milhões teriam morrido nos campos de trabalho forçado, tal alegação foi imediatamente tida como verdade pela sedenta mídia de massa capitalista.
Muitos oportunistas, reacionários, fascistas e capitalistas utilizaram do possível
para marcar o nome de Stálin como sinônimo de genocida. Novamente, o que mais me
espanta é de que a autoproclamada esquerda adota esses dados e reproduz as mesmas
críticas ao Stálin, sem se dar ao trabalho do questionamento e apuração.
Aliás, a tão condenada – injustamente – burocratização promovida por Stálin, que
pôde ser vista com as políticas de transparência, do mesmo assim salafrário, Mikhail
Gorbachov, mostra de que as informações sobre as mortes, fome e o folclore reacionário
do Holodomor, nada passam de um devaneio burguês adotado pelas academias, capitalistas e massas dos países
capitalistas.
Ora, quase 9 mil páginas foram feitas em relatórios dizendo respeito aos campos
de trabalho forçado da URSS. Curiosamente poucos, ou nenhum, dos documentos abertos
por Gorbachov foram e são utilizados como comprovação histórica e científica, apenas o
método fraudulento da mídia burguesa da época que é tido como válido ainda hoje,
principalmente pelos trotskistas.
Historiadores como V.N. Zemskov, A.N. Dougin, O.V. Xlevnjuk, Nicholas
Werth, J. Arch. Getty e G.T. Rettersporn, que publicaram pesquisas, relatórios e artigos
relativos aos arquivos do Comitê Central do Partido Comunista, tiveram suas publicações
em revistas científicas da década de 90 totalmente ignoradas. Vale dizer que, dentre esses
cientistas envolvidos na pesquisa, nenhum tem uma visão socialista, na verdade, esse tem
uma visão burguesa e anti-socialista. Mas mesmo assim a integridade do trabalho
científico deles não só desmascarou as mentiras de Conquest, Soljenítsin e até mesmo de
Medvevev e outros, como deu luz aos verdadeiros dados e acontecimentos.
Como vimos, não só o nome de Stálin foi colocado na berlinda muitas vezes, como
a própria reputação da experiência soviética, que de Krushov para cima foi arrastada pelos
revisionistas na lama gelada da Rússia (recomendo o livro “A URSS e a Contra-Revolução de Veludo” do autor Ludo Martens).
Já passamos pelas mentiras relacionadas à fome, ao genocídio e assassinatos em
massa e também aos horrores do gulag, resta uma questão fundamental para se tirar nesse
pequeno texto, que é muito curto e resumido para tratar totalmente um tema tão polêmico.
Essa questão é o ocorrido com o grupo que compreendia Trotsky, Kamenev, Zinoniev,
Bukharin, Rykov e Tomsky. Para tal nada mais justo de que, antes que se taxe esses
revisionistas e oportunistas de mártires, que se entenda a realidade, trataremos
brevemente sobre isso pois não vejo utilidade em gastar muito tempo nesses trastes. Logo apenas se situará aqui o líder da trupe com citações diretas.
Trotsky
"Os velhos militantes marxistas russos conhecem bem Trotsky e é inútil falarlhes dele. Mas a jovem geração operária não o conhece e é necessário falar-lhe dele, porque ele é uma figura típica dos cinco grupos estrangeiros que flutuam entre os liquidadores e o Partido."
(V. I. Lenine: “Sobre a violação da unidade ao grito de “Viva a unidade!”, Obras completas, tomo XVII, pp. 393-394, ed. r.)
"Trotsky e os seus pares — os «trotskistas e os conciliadores» — são mais perigosos do que qualquer outro liquidador, porque os liquidadores convictos expõem francamente o seu ponto de vista e os operários distinguem facilmente os seus erros, enquanto que os senhores Trotsky & C.ª enganam os operários, dissimulam o mal e agem de modo que se torna impossível descobri-lo e curar-se dele. Todos os que sustentam o grupo de Trotsky sustentam uma política de mentiras e de intrujices face aos operários, uma política que dissimula o liquidacionismo.”
(Lenin - Tomo XV, p. 218, ed. r.)
"É precisamente partindo de «princípios fundamentais» que devemos reconhecer, na exata acepção do termo, o carácter aventureirista deste bloco. Trotsky não ousa declarar que considera Potressov e os partidários do boicote da Duma como verdadeiros marxistas, como verdadeiros defensores dos princípios da socialdemocracia. A posição de um aventureirista tem de particular o fato de o obrigar constantemente a fazer ziguezagues.”
(Lenin - Tomo XV, pp, 68-69, ed. r.)
"Há 60 anos que os trotskistas alegam que querem derrubar "a burocracia" nos países socialistas através de uma “revolução política”. O ódio de Trotsky ao sistema socialista manifesta-se na forma como qualifica a direcção bolchevique da União Soviética: a “casta dos arrivistas rapaces”, a “oligarquia totalitária”, “a nova aristocrática”, “o gang criminoso de Stálin”, “a casta dos novos opressores e parasitas”, “a burocracia totalitária”, “a clique autocrática”, “a hierarquia de incapazes e escória”. Encontramos a mesma linguagem na literatura fascista nos finais dos anos 30.
Segundo Trotsky, a mobilização de todas as forças de oposição à “burocracia” conduzirá a uma “revolução política” que livrará a sociedade socialista autêntica dos parasitas da burocracia. Esta teoria, segundo as afirmações do grupo de Mandel, constitui em si o núcleo da doutrina trotskista: “A teorização da degenerescência burocrática da URSS e da revolução política é o avanço programático mais importante do movimento trotskista. A revolução política e as tarefas que implica a sua preparação são as verdadeiras razões da existência da IV Internacional."
(Ludo Martens - "O trotskismo ao serviço da CIA contra os países socialistas")
“Além disso, declaramos, em nome de todo o Partido, que Trotsky conduz uma política hostil ao Partido, que destrói a legalidade do Partido, que se embrenha na via das aventuras e da cisão.”
(Lenin - Tomo XV, p. 65.)
Para melhor se contextualizar sobre a verdadeira natureza revisionista do
trotskismo recomendo duas leituras: Ludo Martens - "O trotskismo ao serviço da CIA
contra os países socialistas" e “Trotsky e o Trotskismo” – Edições Maria da Fonte.
A postura patética de Trotsky e seus partidários, como podemos ver em outros
textos, que não só tem um caráter revisionista e traidor como hostil e perigoso, não pode
ser tratado, em último caso, se não com o mais duro combate proletário à sabotagem e à
ideologia burguesa que permeia a cabeça do “ex”-menchevique e canalha Trotsky.
_______________________________
O anti-stalinismo, como discursado pela camarada Nina Andreyeva na Belgica em
maio de 1992, é um cavalo de Tróia no movimento comunista da segunda metade do
século XX. A verdade dos dados soviéticos mostram de que o governo Stálin foi um
período de enormes progressos e transformações da sociedade soviética, uma grande
conquista e a concretização dos objetivos da Revolução de Outubro, qualquer um que já
tenha se dado ao prazer de ler alguma obra de Stalin pode dizer de que a liderança e
genialidade expressa em sua teoria, tal como Lenin o tinha, garante um espaço de
prestígio para ele na ciência revolucionária.
(Recomendo a leitura do texto “Mentiras relativas à história da União Soviética” do
camarada Mário Souza, membro do Partido Comunista dos Revolucionários Marxistas-Leninistas da Suécia, texto esse extraído da revista North Star Compass)
Escrito por André Molinari
março de 2019

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